O que é ser um Nutricionista Comportamental?

Muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o que é a Nutrição Comportamental, me questionam como seria o atendimento, me perguntam se eu sou a “nutri” que não prescreve dieta, entre outras coisas….

Você já percebeu que hoje em dia muitas pessoas têm uma relação conturbada com a comida? Percebeu que hoje as informações sobre emagrecimento estão super acessíveis, mas mesmo assim a população está engordando? Por que será?

O que aconteceu de uns tempos para cá foi uma explosão de informações sobre alimentação saudável e emagrecimento, um padrão de corpo cada vez mais distante da nossa realidade e muita informação vinda de não profissionais de saúde. Tudo isso gerou uma piora do relacionamento da comida, o famoso 8 ou 80. Ou as pessoas exageram ou fazem restrição, ninguém conseguiu achar o caminho do meio.

Com todas essas informações e regras, as pessoas pararam de escutar seu próprio corpo e vontades, muitas não sabem mais qual é seu alimento preferido. Passamos a enxergar os alimentos como nosso inimigo.

A Nutrição Comportamental veio para trazer uma “nutrição diferente” , muito mais abrangente do que os conceitos de “pode ou não pode” ou “saudável e não saudável”, apesar de as informações nutricionais estarem pipocando por aí e cada vez as pessoas estarem mais informadas, a mudança efetiva de hábitos e comportamentos não é uma verdade, porque olhar somente nutrientes e calorias de uma forma isolada não é o caminho, foi então que passamos a dar importância ao alimento como um todo. A nutrição comportamental tem como objetivo mudar essa relação, fazendo com que as pessoas sintam prazer (e não culpa) em comer.

O Nutricionista Comportamental vai focar em como se come, suas crenças, pensamentos e sentimentos sobre a comida; nós não restringimos, mas incluímos, queremos que a comida seja um prazer na sua vida e não um sofrimento. Acreditamos que é possível comer de tudo de uma forma equilibrada. Nós respeitamos seus gostos, sua história e cultura.

O COMO e PORQUE se come são tão ou mais importantes do que simplesmente O QUE se come.

Nós continuamos sendo nutricionistas, vamos fazer avaliação antropométrica (caso seja necessário), avaliar exames bioquímicos e junto com você avaliar sua alimentação. Trabalhamos com metas, diário alimentar, educação alimentar e nutricional e várias outras técnicas para mudança de comportamento.

É um acompanhamento com vários encontros onde te ensinarei a voltar a se reconectar com seu corpo, aquela conexão que muitas vezes perdemos por conta de tantas dietas e regras. Eu quero que você seja o protagonista da sua alimentação.

Você acha que a Nutrição Comportamental é pra você? Me conta um pouquinho do que você busca em uma nutricionista.

 

Fome física x fome emocional: como lidar com as emoções sem usar a comida!

Comer é muito mais do que um ato de simplesmente ingerir nutrientes, comer é uma conexão entre se nutrir com emoções e comportamentos variados. A comida está ligada ao afeto e amor. Já parou para pensar que todas as grandes comemorações são feitas em torno de uma mesa ou com comida envolvida? Em um aniversário fazemos um bolo para o aniversariante, quando nosso filho está doente ou chateado, preparamos seu alimento predileto, quando queremos reunir a família, fazemos um grande almoço, o marido dá flores com chocolate para a mulher no aniversário de casamento, e temos tantos outros exemplos que poderia ficar aqui falando e falando, mas o que quero mostrar é que dar e receber comida está relacionado a rituais e celebrações.

Essa ligação é natural e saudável, o problema é quando passamos a usar a comida para “tapar buracos” emocionais, chamamos isso de comer emocional, quando não é possível diferenciar a sensação de fome de outras sensações corporais e passamos a comer por medo, ansiedade, alegria, tristeza, etc. Muitas vezes esse comportamento começa na infância, quando os pais oferecem comida como recompensa, tentando suprir ausência ou mesmo demonstração de amor.

E o que fazer?

Primeiramente é preciso pensar que ansiedade, solidão, tristeza, raiva e muitos outros sentimentos acontecerão durante a vida toda e que a comida não vai “resolver” esses sentimentos, pode apenas distrair, anestesiar ou mudar o foco, porém, no fim, até piora o problema.

Toda vez que você for se alimentar, pare, respire fundo e se questione: “Do que preciso? Será que preciso de comida ou de um abraço, carinho, companhia, afeto? Como faço para atender o que eu realmente preciso?”

Se perguntar sempre antes de comer se está realmente com fome ou se essa sensação é outra coisa, se for fome, coma. Caso não seja, deve-se buscar outras formas de resolver o problema. Por exemplo, ao se sentir solitário, como você poderia resolver isso? Pode-se ligar ou mandar mensagem para um amigo, escrever em um diário. Se estiver entediado, pode-se assistir um filme, ouvir música, ler um livro ou fazer alguma atividade que te dê prazer.

Quando não conseguir evitar o comer emocional, olhe essa experiência como um aprendizado e não como uma falha.

E você, acha que já teve em algum momento esse comportamento? Como faz para lidar com ele?

Vamos falar sobre restrição alimentar?

Falar sobre alimentação e nutrição é realmente um assunto que me motiva e me traz felicidade.

Escolhi nutrição pelo simples fato de ter sido “gordinha” durante minha infância e início da adolescência e quando decidi emagrecer, me peguei lendo milhares de informações em revistas e meu sonho era descobrir o que cada alimento fazia dentro do organismo, quantas calorias ele tinha e qual combinação seria melhor em cada refeição. Obviamente acabei descobrindo tudo isso, porém percebi que “tudo” isso não era o suficiente, algo estava faltando. O que me deixava mais intrigada era ficar calculando um cardápio e ter que adequar todos os nutrientes corretamente (isso dava um trabalho imenso) e pensar: mas essa pessoa vai comer os mesmos alimentos todos os dias? E se ela mudar o arroz integral pela batata, já vai mudar a quantidade de proteína e de vitamina. E agora? Quem poderá nos defender?

potatoes-french-mourning-funny-162971-large

Essa inquietação me acompanhou por muito tempo, e hoje, não vou dizer que tenho uma resposta, mas vejo que essa prescrição toda certinha não faz mas tanto sentido, claro que temos casos mais específicos de determinadas doenças onde é necessário todos os cálculos, porém, será que para o paciente saudável e que deseja emagrecer isso funciona?

Tá, você falou, falou, mas e a restrição alimentar? O que tem a ver com isso?

Estou realmente assustada com o rumo que a nutrição vem tomando nos últimos anos, muitas restrições, alimentos classificados como bons e ruins, muitas dietas prontas nos meios de comunicação e muita pressão da sociedade para que todos sejam lindos, magros (mas não pode ser magro demais, também), sarados, inteligentes, ricos, bem sucedidos, e muito mais coisas que eu poderia ficar aqui falando por horas e horas. O que quero dizer, é que hoje somos cobrados para sermos perfeitos!

De novo, e a restrição alimentar?  Sim, tudo isso faz com que busquemos milagres, informações errôneas na mídia, entre outras loucuras. Quem nunca ficou vários dias sem comer aquele alimento que adora, pensando que essa restrição irá fazê-lo emagrecer.  Essa restrição faz o efeito oposto, quando nos esforçamos para não pensar em algo, pode ter certeza que pensaremos ainda mais. Quer fazer um teste? Feche os olhos e não pense em um elefante rosa… pois é, o elefante rosa vai ficar um bom tempo na sua mente. Acontece o mesmo com aquele chocolate que amamos, mas que repetimos diversas vezes que chocolate faz mal, que chocolate engorda, não posso comer chocolate hoje, só posso comer chocolate no final de semana.

Mas e se não restringir esses alimentos como vou emagrecer?

O segredo do emagrecimento está no equilíbrio, em resgatar comedores competentes, aprender o que comer e quanto comer, melhorar o paladar aumentando a variedade de alimentos consumidos, comer em quantidade adequada e comer de acordo com a situação e contexto.

Tudo isso é possível:  é preciso escutar mais o corpo e menos as regras, comer com calma, junto da família, experimentar combinações, ver o que te deixa mais saciado, comer sem culpa, acabar com o estigma de alimentos bons e maus. Parece simples, mas nem sempre é tão simples assim, por isso nós nutricionistas estamos aqui, para te ajudar a melhorar seu relacionamento com a comida, a comer com prazer, a melhorar sua autoestima. Procure sempre orientação de um profissional caso precise, lembre-se que nós também amamos comida!!!

Por fim, deixo esse vídeo para pensarmos: O que aconteceu com a última criança para ela ter tido essa reação? Deixe sua opinião nos comentários!

O teste do Marshmallow