Como está sua relação com a atividade física e exercícios?

Eu nunca tive uma boa relação com exercícios físicos, quando criança lembro de detestar a aula de educação física, se pudesse eu fugia da aula, infelizmente não era possível e sofria toda vez que tinha que ir à quadra.

O sofrimento todo era por causa do meu corpo, fui uma criança gordinha e desajeitada, não conseguia correr muito, nem fazer atividades muito ágeis, com isso sempre era uma das últimas a ser escolhida para os grupos, isso foi tão marcante pra mim que até hoje não gosto de esportes coletivos. Eu li uma frase no livro “A coragem de ser imperfeito” que também me tocou bastante, a autora contava sobre sua filha, ela também estava triste porque não queria ser mais tratada como “os outros”, ela queria ser chamada pelo nome… Isso era uma coisa que me incomodava muito, ser a gordinha sem nome, a última do time, enfim…

Com minha falta de habilidades para esportes coletivos e corrida, passei a me dedicar a natação, nado desde os seis anos e confesso que também não gostava, porém aos pouquinhos a água foi me cativando, nesse época minha dificuldade era com a perfeição, eu queria ser boa como as meninas mais velhas, mais rápidas, nem sempre era possível, e eu me chateava… Era a insegurança batendo…

Fui crescendo e a minha relação com o exercício passou a ser de “emagrecer”, eu passei a ir todos os dias, corria, fazia musculação, nadava, fazia tudo o que era possível e pensava em quantas calorias estava gastando em cada atividade.

Veio a corrida, que me conquistou logo de cara, porém aos poucos começou a virar uma obrigação, eu tinha que correr porque tinha que fazer a meia maratona… deixou de ser eu quero, para ser eu tenho, e percebi que isso não estava mais sendo saudável.

O que eu quero dizer com toda a minha história é que muitas vezes colocamos um significado no exercício que devemos ressignificar..

Hoje eu já me arrisco a participar de algumas atividades coletivas, não é fácil, mas tento, porém eu descobri um prazer enorme em outras atividades, durante minha vida já experimentei um pouco de tudo, acho super válido, quanto mais experimentar, mas saberá do que gosta!

Mas também não adianta sair do pensamento de “detesto exercício” para “tenho que fazer exercício”.

A prática de atividade física deve ser prazerosa, gostosa, não deve ser punição, não deve servir para eliminar as calorias, ela deve fazer parte da sua vida de uma forma gostosa.

Experimente novas atividades, hoje em dia temos tanta opção, você não precisa fazer um tipo de exercício especifico. Se você não gosta de academia, porque não tenta dança, circo, funcional?

A atividade física tem uma função tão importante na nossa vida que vale a pena tentar!

 

O que é ser um Nutricionista Comportamental?

Muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o que é a Nutrição Comportamental, me questionam como seria o atendimento, me perguntam se eu sou a “nutri” que não prescreve dieta, entre outras coisas….

Você já percebeu que hoje em dia muitas pessoas têm uma relação conturbada com a comida? Percebeu que hoje as informações sobre emagrecimento estão super acessíveis, mas mesmo assim a população está engordando? Por que será?

O que aconteceu de uns tempos para cá foi uma explosão de informações sobre alimentação saudável e emagrecimento, um padrão de corpo cada vez mais distante da nossa realidade e muita informação vinda de não profissionais de saúde. Tudo isso gerou uma piora do relacionamento da comida, o famoso 8 ou 80. Ou as pessoas exageram ou fazem restrição, ninguém conseguiu achar o caminho do meio.

Com todas essas informações e regras, as pessoas pararam de escutar seu próprio corpo e vontades, muitas não sabem mais qual é seu alimento preferido. Passamos a enxergar os alimentos como nosso inimigo.

A Nutrição Comportamental veio para trazer uma “nutrição diferente” , muito mais abrangente do que os conceitos de “pode ou não pode” ou “saudável e não saudável”, apesar de as informações nutricionais estarem pipocando por aí e cada vez as pessoas estarem mais informadas, a mudança efetiva de hábitos e comportamentos não é uma verdade, porque olhar somente nutrientes e calorias de uma forma isolada não é o caminho, foi então que passamos a dar importância ao alimento como um todo. A nutrição comportamental tem como objetivo mudar essa relação, fazendo com que as pessoas sintam prazer (e não culpa) em comer.

O Nutricionista Comportamental vai focar em como se come, suas crenças, pensamentos e sentimentos sobre a comida; nós não restringimos, mas incluímos, queremos que a comida seja um prazer na sua vida e não um sofrimento. Acreditamos que é possível comer de tudo de uma forma equilibrada. Nós respeitamos seus gostos, sua história e cultura.

O COMO e PORQUE se come são tão ou mais importantes do que simplesmente O QUE se come.

Nós continuamos sendo nutricionistas, vamos fazer avaliação antropométrica (caso seja necessário), avaliar exames bioquímicos e junto com você avaliar sua alimentação. Trabalhamos com metas, diário alimentar, educação alimentar e nutricional e várias outras técnicas para mudança de comportamento.

É um acompanhamento com vários encontros onde te ensinarei a voltar a se reconectar com seu corpo, aquela conexão que muitas vezes perdemos por conta de tantas dietas e regras. Eu quero que você seja o protagonista da sua alimentação.

Você acha que a Nutrição Comportamental é pra você? Me conta um pouquinho do que você busca em uma nutricionista.

 

Detox pós-carnaval

Como foi seu carnaval? Animado? Ingeriu muita bebida alcoólica? Preferiu ficar em casa tranquilo(a) mas acha que abusou um pouco da comida?

De qualquer forma, sempre vem aquele pensamento de que é necessário fazer alguma coisa com relação a alimentação para eliminar os excessos. Quem nunca fez um detox pós-carnaval? Será mesmo necessário?

Não, você não precisa fazer detox, fazer dieta líquida, da sopa, jejum ou coisa do gênero. O que você precisa é simplesmente voltar a sua rotina, simples assim…

Algumas dicas:

  • Não esqueça da ingestão de água:

Tome pequenas quantidades ao longo do dia, não adianta passar o dia sem tomar água e compensar tudo de uma vez só. Deixe uma garrafinha de água sempre perto de você, assim você não esquece. Você pode optar também por água saborizada com limão, laranja ou gengibre, fica bem gostoso.

  • Dê preferência para os alimentos in natura:

Nada de pacotinhos, prefira os alimentos naturais: frutas, verduras, legumes, oleaginosas, iogurtes naturais, peixes, carnes magras, ovos, frango, especiarias, feijões, arroz integral, batata, mandioca, azeite, água de coco, etc..

  • Se a ressaca foi forte e você sente necessidade de melhorar a hidratação, aposte nos chás e sucos antioxidantes:

Chás de cavalinha, hibiscos, camomila e verde. Para os sucos é só usar a criatividade, misture sempre 2 tipos de frutas, uma folha verde ou legumes, pode por água ou água de coco. Por exemplo, para um suco refrescante você pode usar uma pêra, uma maçã, um copo de água de coco natural geladinha e uma folha de hortelã.

Para finalizar, deixo um texto que achei na internet hoje, ele é de 2015 e nas buscas sobre “textos sobre dieta detox”  me deparei com ele, não pude deixar de compartilhar. Ele foi escrito pela Ruth Matos e ainda é muito atual.

Detox na vida**

POR RUTH MANUS

Porque a saúde não mora só no corpo.

Passou o natal, passou o ano novo, passou o carnaval. The game is over e a vida real pede passagem. É nessa hora que a febre detox-vida-nova-entrar-nos-eixos vem com força ainda maior- se é que isso é possível.

Detox vem da ideia de desintoxicar, tirar do corpo tudo o que não lhe faz bem. Louvável, sem dúvida nenhuma. Mas o problema começa quando as pessoas resolvem achar que duas garrafas de suco verde são a milagrosa solução para melhorar suas vidas.

2018* tá aqui na nossa frente e de nada vai adiantar desintoxicar o corpo, se a vida e a alma estão povoadas de hábitos, pessoas, dias e caminhos tóxicos. Parasitas, comodismos, vícios, medos.

Gente tóxica é o que mais tem. Gente cinza, amarga, invejosa, gente que gosta de problema, que gosta de doença, que gosta de discórdia, gente que vive de aparência, gente rasa. E não tem jeito, temos que fugir mesmo, cortar, evitar ao máximo. Bom dia, boa tarde e até logo. Não nos deixemos contaminar.

Não adianta comer chia toda manhã se a gente odeia o emprego e já sai de casa com vontade de voltar. Não dá para achar que o corpo vai estar puro se você não acredita no que faz e passa mais de 40 horas da semana ruminando tarefas infelizes.

Não adianta beber 3 litros de água por dia quando se está num relacionamento que afundou. É cômodo, todos sabemos. Mas a vida é uma só e não dá para ver os dias, meses e anos passarem com migalhas de amor e sem vestígios de paixão.

Não adianta colocar linhaça nas receitas quando só se reclama da vida, dos outros, do país, do calor, da chuva, do trânsito. É um círculo vicioso, quanto mais a gente fala das coisas ruins, menos atenção a gente dá às coisas boas e a vida vai ficando ruim, ruim, ruim.

É ilusão achar que a mudança vem de fora para dentro. Que a felicidade e a saúde cabem em embalagens plásticas com códigos de barra. Produtos podem ser ótimos coadjuvantes nessa busca, mas a verdadeira mudança é só o protagonista quem faz.

E eu quero um 2018* detox.

Detox de dias iguais.

Detox de gente ruim.

Detox de maus hábitos.

Detox de inveja.

Detox de relações doentes.

Detox de obsessões.

Detox de pessimistas.

Detox de medo de mudar.

Detox de dias desperdiçados.

Detox de sentimentos pobres.

Detox de superficialidade.

Detox de vícios.

Detox de viver por viver.

E pra fazer detox na vida é preciso coragem. Coragem para mudar, para arriscar, para romper, para fechar ciclos que há muito tempo deveriam ter terminado. O ano oficialmente começou e a pergunta é: vai ter só suco verde ou vai ter detox na vida?

*troquei 2015 por 2018
**texto original em http://emais.estadao.com.br/blogs/ruth-manus/detox-na-vida/

E a dieta Low Carb?

Quem aqui tem medo de carboidrato? E quem já fez alguma vez uma dieta retirando-os totalmente ou parcialmente? Vejo que a cada dia o medo do consumo dos carboidratos vem crescendo e achei importante dizer o que penso sobre ele.

Ainda recebo muitas perguntas sobre o consumo de carboidratos. Posso comer macarrão ou arroz depois das 18hs é a mais frequente delas, e a minha resposta para essa pergunta é: SIM!

CARBOIDRATOS

Primeiramente eu quero que todos saibam que eu amo carboidrato. Ele é um nutriente muito importante para nossa saúde, é ele que dá toda aquela energia tanto para os músculos como para o cérebro. Então, esqueçam a carbofobia, ok? Nada de ter medo do pobre coitado.

Mas o que seria essa “dieta low carb”? É uma dieta em que diminuímos o consumo de carboidratos para em média 45% do consumo total de alimentos no dia. O que não seria nada absurdo, é um valor aceitável dentro de um equilibro nutricional dependendo do estilo de vida da pessoa, porém o que vemos por aí é uma restrição quase que total do consumo de carboidratos somados a um excesso no consumo de proteínas, restrição de grãos, lactose, glúten, frutas (pasmem, até fruta o pessoal quer cortar). consumo exagerado de bacon, óleo de coco, manteiga, creme de leite sem limites, etc.

Na maioria das vezes esse low carb não deixa de ser mais uma dieta restritiva que tem data para começar e data para terminar, afinal quem consegue viver sem comer carboidrato?
Em relação ao emagrecimento, diminuir um pouco o consumo do carboidrato pode ser uma estratégia, mas não da forma como vejo por aí. O que acontece é que, de um modo geral, comemos mais carboidratos do que precisamos, daí vem a fama de engordar. Mas o carboidrato se for consumido dentro de proporções bacanas não vai atrapalhar o emagrecimento. Quanto comer? Um profissional pode te ajudar a avaliar isso, colocando os carboidratos nos momentos em que você necessita de mais energia e diminuindo um pouco em outros momentos. Temos também como retardar um pouco a absorção dos açúcares presentes nesses alimentos, tudo sem neura, com alimentos mais naturais e principalmente com prazer. Varie sempre sua alimentação, priorize os alimentos in natura, diminua os ultraprocessados e esqueça as restrições. Sua vida não precisa ser 8 ou 80, equilíbrio é a palavra-chave.
Agora me conta, como é sua relação com os carboidratos? Já tentou eliminá-los? Como foi a experiência?

Nossa, como você engordou?

Essa semana atendi uma paciente na casa dos 50 anos, que me relatou um medo grande de engordar, ela me procurou para ajudá-la nesse processo de emagrecimento, conversamos bastante e ela me contou que sua mãe tem um medo ainda maior que o dela de engordar e que até hoje comenta que ela está gorda ou que ela não emagrece porque está comendo isso ou aquilo.

Ela também me contou que comia escondida quando morava com a mãe e que quando foi morar sozinha passou a comer muito, justamente porque não tinha ninguém julgando o seu comportamento. Vocês acreditam que o ganho de peso dela tem a ver com o comportamento da mãe? Eu digo para você que sim, pode não ser a única causa, mas com certeza isso influenciou.

Reflita comigo: quantas vezes você já comentou sobre o corpo de uma outra pessoa? Você já julgou alguém pelo que ela estava comendo?

Você já reparou que basta a gente engordar 1 ou 2 kg que as pessoas já vem comentar que engordamos, que estamos comendo demais, entre outras coisas. O contrário também é bem comum, quando a gente emagrece as pessoas vem com aquele sorriso e alegria perguntando como conseguimos emagrecer, qual o segredo, entre outros.

Já ouvi muitas vezes pessoas dizendo: “Ah você estava doente? Poxa, pelo menos você emagreceu…” Olha como isso é sério, achar que emagrecer por uma doença é saudável.. Vamos nos policiar mais, não importa se a pessoa engordou ou emagreceu, isso não te diz respeito, você não sabe o que aquela pessoa está passando, quais são seus problemas ou motivos para aumento ou diminuição de peso. Isso é tão importante para você? Não devemos rotular ninguém pelo peso!!

Mães, pais, avôs, avós, tios e tias, cuidado com o julgamento com as crianças, cuidado com os comentários sobre peso, posso dizer que a grande maioria dos casos de anorexia, bulimia ou compulsão alimentar vem por essa cobrança de um peso x ou y. Podemos sim tratar a obesidade, sobrepeso e emagrecimento de uma maneira mais leve, sem julgamento.

Procure ajuda de um profissional qualificado e que não te julgue!
Você já sofreu com esse tipo de comentário? Conta aqui pra mim..

Posso consumir doces se quero emagrecer?

A maioria dos meus pacientes me questiona sobre doces, me falam que possuem muita dificuldade em parar de comer os doces e que são “viciados”, colocam toda a culpa do ganho de peso nos doces. Mas eu te pergunto, será mesmo que os doces são os grandes vilões de uma boa alimentação? Será que eles realmente nos engordam tanto?

Primeiramente, não pensem nos alimentos como vilões e mocinhos, ok? Não existe alimento bom ou ruim, existe alimento e comida. O que realmente vai fazer a diferença é a frequência e quantidade de ingestão desse alimento.

O doce pode e deve fazer parte de uma alimentação equilibrada, muitas vezes o grande problema é que não queremos comer doce de jeito nenhum e acabamos criando uma fixação por ele, quanto mais a gente pensa que não pode alguma coisa, mais a gente quer!

Então, relaxe, coma o seu docinho, cuidado só com a quantidade, realmente não é legal comer uma barra de chocolate de uma vez!

E como eu diminuo a vontade de comer doce, nutri?

A primeira dica que eu dou é, diminua o consumo aos poucos, tem gente que come chocolate todos os dias e de repente resolve tirá-lo completamente de sua vida, alguém tem alguma ideia do que vai acontecer? Em pouco tempo o chocolate vai virar uma obsessão e na primeira oportunidade a pessoa vai comer todo o chocolate que tiver disponível e mais um pouco, quando a gente começa restringindo algo a tendência é essa, lembre-se que restrição gera compulsão.

Então, diminua aos pouquinhos, primeiro a quantidade e depois a frequência, se você costuma ter uma barra grande de chocolate disponível, prefira uma menor, depois tente comer o chocolate um dia sim e outro não em vez de comer todos os dias.
Vá diminuindo também, gradativamente, a quantidade de açúcar que você coloca nos alimentos, nós temos um paladar muito adocicado e temos a tendência de gostar de tudo muito doce, quando você diminui a quantidade de açúcar o nosso paladar vai mudando e você começa a apreciar novos sabores.
E o adoçante, posso substituir?  Nãooooo, diminua a quantidade de açúcar, eu quero que você mude seu paladar, ok? Depois venho em outro post falar sobre os adoçantes!!

E você, conta pra mim, gosta muito de doce? Tem muita dificuldade em diminuir o consumo?

Rihanna engordou, e daí?

Faz uma semana que estou vendo várias fotos da Rihanna pelas redes sociais, linda, maravilhosa, com uma roupa incrível no tapete vermelho. Fui pesquisar e saber sobre a foto, e descobri que ela estava no lançamento do filme Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, que conta com a cantora em seu elenco principal.

O que me chamou a atenção foi que todas as postagens que achei sobre a foto eram sobre o corpo da cantora, não achei nenhuma postagem falando sobre a premiação, o filme, ou qualquer outra coisa, somente que Rihanna tinha engordado ou “o que será que tinha acontecido?” Cheguei a ver comentários sobre “será que ela está grávida?”.

Comecei a pensar: Rihanna é uma mulher talentosíssima, participa de projetos sociais, tem uma trajetória incrível, mas as notícias sobre ela são de como e porque ela engordou.

Rihanna

Precisamos entender porque colocamos toda essa idealização na Rihanna e porque temos essa necessidade absurda de falar sobre o corpo das mulheres?

Várias pessoas famosas sofrem com isso, é tanta pressão para se manter magra, linda, que são feitas coisas absurdas para uma manutenção e perda de peso, como uso de medicamentos, dietas malucas e até drogas ilícitas, mas tudo bem se você estiver magra!!

Essa pressão estética é assustadora, lembre-se que as pessoas famosas são pessoas como nós, merecem respeito, não é por serem pessoas públicas que elas têm obrigação de se manterem magras e dentro de um padrão de beleza muitas vezes inatingível.

Ninguém tem nada a ver se a Rihanna, eu ou você engordamos, ninguém sabe o que se passa em nossas vidas e o que aconteceu para isso, nós simplesmente podemos ter cansado de fazer dieta, Rihanna pode estar se preparando para um personagem, eu posso estar tomando alguma medicação, você pode ter simplesmente engordado porque quis e tudo bem!!!

Este padrão de beleza machuca e destrói milhões de vidas, principalmente de mulheres em busca desse ideal.

Você pode querer engordar se você se sente melhor assim, pode querer emagrecer também, o importante é ter autoestima, amor por quem você é e pelo seu corpo!!

Imagens: Instagam/divulgação

Férias, e agora?

Acabei de voltar de férias e foi tudo maravilhoso, fui fazer um intercâmbio em Malta de 4 semanas e tive a oportunidade de conhecer um pedacinho da Sicília e Suíça. Foi tão incrível que só de pensar me dá uma saudade imensa.

Antes da viagem estava um pouco preocupada, meu medo era de não conseguir fazer nenhuma atividade física, de não ter comida fresca para comer, de engordar muito, entre outras coisas. Já contei aqui que fui uma criança e adolescente gordinha e que mesmo após emagrecer, toda viagem eu acabava engordando alguns quilinhos.

Chegando lá, depois da primeira semana, acabei relaxando sobre esses pensamentos e para minha surpresa, acabei voltando mais magra.

Lição que eu aprendi com isso, respeite muito seu corpo, sua fome e saciedade, durante a viagem tentei exercitar bastante isso, acabei comendo de tudo, mas não me senti cheia e desconfortável, como já me senti algumas vezes. Experimentei todas as delicias de que tive vontade, a comida era muito saborosa, muita influência italiana, massas e sorvetes deliciosos, até os sanduíches eram uma delicia, os chamados paninis, super frescos e bem feitos.

À noite, no jantar, tínhamos uma comidinha bem fresca e natural da nossa host, isso me ajudou muito, mas de sobremesa sempre tinha um pedacinho de Lindt ou Milka (sou viciada nesse chocolate hehe).

Sobre a atividade física, nunca tive o costume de correr durante as férias, mas dessa vez como ficaríamos 30 dias resolvi levar todas as minhas roupas e tênis… usei uma vez!! haha

O fato era que andávamos no mínimo 4 quilômetros todos os dias para ir e voltar da escola, e além disso andávamos muito em todos os passeios, em nenhum momento me senti “sedentária”, quando eu fico muito tempo sem fazer exercício sempre tenho uma sensação estranha, de cansaço, dor e nesses 30 dias me senti ótima, com muita energia, era um grande prazer andar pelo país, um sol agradável, paisagens lindas, hoje sinto falta dessa minha caminhada de todos os dias.

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O que quero dizer para você é: relaxe!! Quando a gente começa a se autoconhecer e a identificar seus sinais de fome e saciedade, você pode estar na sua casa, em outra cidade, em outro país, que você vai saber lidar com a comida que lhe é oferecida.

Não pense nisso:

“E se eu engordar nas férias?”

Ah, lembra das vezes que eu disse que engordei um pouquinho nas férias, meu peso logo voltou ao normal com a volta da minha rotina habitual, ou seja, de uma forma ou de outra, seu corpo vai saber como resolver seu problema, só acredite mais nele!

As minhas dicas para as férias são:

– Primeiramente, aproveite, aproveite tudoooo, seja ficando em casa descansando ou indo viajar, experimente novos alimentos, desfrute dos momentos agradáveis com amigos e família;

– Não se preocupe tanto com seu peso e sobre calorias, foque sua atenção na questão da fome e saciedade;

– Equilíbrio: tente sempre optar pelos alimentos mais frescos e naturais, mas de vez em quando se permita comer algum outro alimento que você tenha vontade e sem culpa;

– Evite os fast foods e comidas muito industrializadas, é super possível comer bem em qualquer lugar, basta ter curiosidade de procurar novos locais, mercados municipais, etc;

– Se você gosta de fazer atividade física, faça! Mas faça se você realmente gosta e não por obrigação, lembre-se, suas férias são para relaxar e não para se estressar. Se for possível fazer passeios ao ar livre e a pé, aproveite, é muito gostoso conhecer uma cidade andando.

Você já se preocupou muito com ganho de peso durante alguma viagem? Conta pra mim!!

Have a nice trip, vjaġġ tajba (boa viagem em Maltês), buona vacanza, boas férias!!!!

Nutri, eu preciso emagrecer!!!

Essa é a umas das frases mais faladas pelos meus pacientes. Não sei se todos sabem, mas faço atendimento tanto particular quanto na rede pública de um município da Grande São Paulo e esse pedido é comum nos dois lugares, mesmo com perfis tão distintos.

Essa semana atendi uma mulher jovem, na casa dos 30 anos, ansiosa, chegou falando rápido e seu primeiro pedido foi: “Dra., eu preciso emagrecer!”. Sabe aquele pedido cheio de significados, cheio de angustia, e sim, era um pedido de ajuda.

Aos poucos fomos conversando e ela se acalmou. No caso dela, o pedido do emagrecimento era por conta do casamento que será em novembro e ela “precisa” entrar em um vestido bonito, porque “os vestidos mais bonitos são para magras”.

Nesse momento meu coração ficou apertadinho, eu também casei a pouco tempo e sei como esse momento é tão especial na vida de uma mulher, me lembrei do dia que fui escolher meu vestido de noiva e fiquei encantada logo pelo primeiro que experimentei. Lembrei também que a minha única preocupação era me sentir a noiva mais linda e eu me senti. Pensei comigo, será que essa moça, linda, cheia de expectativas, irá conseguir se sentir linda nesse momento? Eu acho que não!! Sabe por quê? Porque ela não se acha linda, ela acha que a beleza está ligada a ser magra e que pode acabar perdendo o noivo por não estar tão bela.

Conversamos muito e sabe qual foi a meta de perda de peso que passei para ela? Nenhuma! A meta para próxima semana foi se amar mais, olhar no espelho e se sentir bonita, pensar em alguma atividade que ela se identifique e goste de fazer. Lógico que conversamos sobre nutrição e pedi para ela comer um pouco mais devagar, tomar mais água, algumas pequenas coisas que vi que seriam possíveis de ir mudando nesse início.

Ainda teremos um tratamento longo pela frente, mas meu desejo é que essa moça, no dia de seu casamento, se sinta linda independente do número da balança, que ela se aceite e se ame!

E você, já parou para pensar porque quer emagrecer? Será que é porque você não está se sentindo bem e sabe que tem hábitos que podem ser mudados e quer uma qualidade de vida melhor? Ou será que você quer emagrecer porque seu marido, pais, amigos, dizem que é preciso? Ou porque a blogueira musa-fitness tem um corpo maravilhoso e você quer ser como ela?

Vamos falar sobre restrição alimentar?

Falar sobre alimentação e nutrição é realmente um assunto que me motiva e me traz felicidade.

Escolhi nutrição pelo simples fato de ter sido “gordinha” durante minha infância e início da adolescência e quando decidi emagrecer, me peguei lendo milhares de informações em revistas e meu sonho era descobrir o que cada alimento fazia dentro do organismo, quantas calorias ele tinha e qual combinação seria melhor em cada refeição. Obviamente acabei descobrindo tudo isso, porém percebi que “tudo” isso não era o suficiente, algo estava faltando. O que me deixava mais intrigada era ficar calculando um cardápio e ter que adequar todos os nutrientes corretamente (isso dava um trabalho imenso) e pensar: mas essa pessoa vai comer os mesmos alimentos todos os dias? E se ela mudar o arroz integral pela batata, já vai mudar a quantidade de proteína e de vitamina. E agora? Quem poderá nos defender?

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Essa inquietação me acompanhou por muito tempo, e hoje, não vou dizer que tenho uma resposta, mas vejo que essa prescrição toda certinha não faz mas tanto sentido, claro que temos casos mais específicos de determinadas doenças onde é necessário todos os cálculos, porém, será que para o paciente saudável e que deseja emagrecer isso funciona?

Tá, você falou, falou, mas e a restrição alimentar? O que tem a ver com isso?

Estou realmente assustada com o rumo que a nutrição vem tomando nos últimos anos, muitas restrições, alimentos classificados como bons e ruins, muitas dietas prontas nos meios de comunicação e muita pressão da sociedade para que todos sejam lindos, magros (mas não pode ser magro demais, também), sarados, inteligentes, ricos, bem sucedidos, e muito mais coisas que eu poderia ficar aqui falando por horas e horas. O que quero dizer, é que hoje somos cobrados para sermos perfeitos!

De novo, e a restrição alimentar?  Sim, tudo isso faz com que busquemos milagres, informações errôneas na mídia, entre outras loucuras. Quem nunca ficou vários dias sem comer aquele alimento que adora, pensando que essa restrição irá fazê-lo emagrecer.  Essa restrição faz o efeito oposto, quando nos esforçamos para não pensar em algo, pode ter certeza que pensaremos ainda mais. Quer fazer um teste? Feche os olhos e não pense em um elefante rosa… pois é, o elefante rosa vai ficar um bom tempo na sua mente. Acontece o mesmo com aquele chocolate que amamos, mas que repetimos diversas vezes que chocolate faz mal, que chocolate engorda, não posso comer chocolate hoje, só posso comer chocolate no final de semana.

Mas e se não restringir esses alimentos como vou emagrecer?

O segredo do emagrecimento está no equilíbrio, em resgatar comedores competentes, aprender o que comer e quanto comer, melhorar o paladar aumentando a variedade de alimentos consumidos, comer em quantidade adequada e comer de acordo com a situação e contexto.

Tudo isso é possível:  é preciso escutar mais o corpo e menos as regras, comer com calma, junto da família, experimentar combinações, ver o que te deixa mais saciado, comer sem culpa, acabar com o estigma de alimentos bons e maus. Parece simples, mas nem sempre é tão simples assim, por isso nós nutricionistas estamos aqui, para te ajudar a melhorar seu relacionamento com a comida, a comer com prazer, a melhorar sua autoestima. Procure sempre orientação de um profissional caso precise, lembre-se que nós também amamos comida!!!

Por fim, deixo esse vídeo para pensarmos: O que aconteceu com a última criança para ela ter tido essa reação? Deixe sua opinião nos comentários!

O teste do Marshmallow