Como está sua relação com a atividade física e exercícios?

Eu nunca tive uma boa relação com exercícios físicos, quando criança lembro de detestar a aula de educação física, se pudesse eu fugia da aula, infelizmente não era possível e sofria toda vez que tinha que ir à quadra.

O sofrimento todo era por causa do meu corpo, fui uma criança gordinha e desajeitada, não conseguia correr muito, nem fazer atividades muito ágeis, com isso sempre era uma das últimas a ser escolhida para os grupos, isso foi tão marcante pra mim que até hoje não gosto de esportes coletivos. Eu li uma frase no livro “A coragem de ser imperfeito” que também me tocou bastante, a autora contava sobre sua filha, ela também estava triste porque não queria ser mais tratada como “os outros”, ela queria ser chamada pelo nome… Isso era uma coisa que me incomodava muito, ser a gordinha sem nome, a última do time, enfim…

Com minha falta de habilidades para esportes coletivos e corrida, passei a me dedicar a natação, nado desde os seis anos e confesso que também não gostava, porém aos pouquinhos a água foi me cativando, nesse época minha dificuldade era com a perfeição, eu queria ser boa como as meninas mais velhas, mais rápidas, nem sempre era possível, e eu me chateava… Era a insegurança batendo…

Fui crescendo e a minha relação com o exercício passou a ser de “emagrecer”, eu passei a ir todos os dias, corria, fazia musculação, nadava, fazia tudo o que era possível e pensava em quantas calorias estava gastando em cada atividade.

Veio a corrida, que me conquistou logo de cara, porém aos poucos começou a virar uma obrigação, eu tinha que correr porque tinha que fazer a meia maratona… deixou de ser eu quero, para ser eu tenho, e percebi que isso não estava mais sendo saudável.

O que eu quero dizer com toda a minha história é que muitas vezes colocamos um significado no exercício que devemos ressignificar..

Hoje eu já me arrisco a participar de algumas atividades coletivas, não é fácil, mas tento, porém eu descobri um prazer enorme em outras atividades, durante minha vida já experimentei um pouco de tudo, acho super válido, quanto mais experimentar, mas saberá do que gosta!

Mas também não adianta sair do pensamento de “detesto exercício” para “tenho que fazer exercício”.

A prática de atividade física deve ser prazerosa, gostosa, não deve ser punição, não deve servir para eliminar as calorias, ela deve fazer parte da sua vida de uma forma gostosa.

Experimente novas atividades, hoje em dia temos tanta opção, você não precisa fazer um tipo de exercício especifico. Se você não gosta de academia, porque não tenta dança, circo, funcional?

A atividade física tem uma função tão importante na nossa vida que vale a pena tentar!

 

O que é ser um Nutricionista Comportamental?

Muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o que é a Nutrição Comportamental, me questionam como seria o atendimento, me perguntam se eu sou a “nutri” que não prescreve dieta, entre outras coisas….

Você já percebeu que hoje em dia muitas pessoas têm uma relação conturbada com a comida? Percebeu que hoje as informações sobre emagrecimento estão super acessíveis, mas mesmo assim a população está engordando? Por que será?

O que aconteceu de uns tempos para cá foi uma explosão de informações sobre alimentação saudável e emagrecimento, um padrão de corpo cada vez mais distante da nossa realidade e muita informação vinda de não profissionais de saúde. Tudo isso gerou uma piora do relacionamento da comida, o famoso 8 ou 80. Ou as pessoas exageram ou fazem restrição, ninguém conseguiu achar o caminho do meio.

Com todas essas informações e regras, as pessoas pararam de escutar seu próprio corpo e vontades, muitas não sabem mais qual é seu alimento preferido. Passamos a enxergar os alimentos como nosso inimigo.

A Nutrição Comportamental veio para trazer uma “nutrição diferente” , muito mais abrangente do que os conceitos de “pode ou não pode” ou “saudável e não saudável”, apesar de as informações nutricionais estarem pipocando por aí e cada vez as pessoas estarem mais informadas, a mudança efetiva de hábitos e comportamentos não é uma verdade, porque olhar somente nutrientes e calorias de uma forma isolada não é o caminho, foi então que passamos a dar importância ao alimento como um todo. A nutrição comportamental tem como objetivo mudar essa relação, fazendo com que as pessoas sintam prazer (e não culpa) em comer.

O Nutricionista Comportamental vai focar em como se come, suas crenças, pensamentos e sentimentos sobre a comida; nós não restringimos, mas incluímos, queremos que a comida seja um prazer na sua vida e não um sofrimento. Acreditamos que é possível comer de tudo de uma forma equilibrada. Nós respeitamos seus gostos, sua história e cultura.

O COMO e PORQUE se come são tão ou mais importantes do que simplesmente O QUE se come.

Nós continuamos sendo nutricionistas, vamos fazer avaliação antropométrica (caso seja necessário), avaliar exames bioquímicos e junto com você avaliar sua alimentação. Trabalhamos com metas, diário alimentar, educação alimentar e nutricional e várias outras técnicas para mudança de comportamento.

É um acompanhamento com vários encontros onde te ensinarei a voltar a se reconectar com seu corpo, aquela conexão que muitas vezes perdemos por conta de tantas dietas e regras. Eu quero que você seja o protagonista da sua alimentação.

Você acha que a Nutrição Comportamental é pra você? Me conta um pouquinho do que você busca em uma nutricionista.

 

E o tal efeito sanfona?

Você começa a se olhar no espelho e passa a não gostar do que vê, se pesa e acha que está com alguns quilos a mais, faz uma busca na internet e começa a seguir algumas dicas que leu por lá, muitas das dicas diziam para você cortar o pão, o carboidrato, não jantar e tomar um shake. Em alguns dias você já começa a ver diferença no peso, muitas vezes na primeira semana você já elimina uns 2kg e com isso passa a acreditar que o caminho da restrição é o correto.

O que você não sabia é que depois de algumas semanas estaria super enjoada de comer o mesmo alimento todos os dias e que sua ansiedade iria aumentar, com isso você passaria a beliscar mais durante o dia e a se sentir super culpada por isso. Logo, você não sabia que iria engordar os quilos perdidos novamente!

sanfona

Quem aqui nunca passou por uma situação parecida com essa? Dieta restritiva, emagrecimento e ganho de peso novamente!

Quando falamos que dieta não funciona, não estávamos dizendo que ela não emagrece, com certeza fazer dieta, ainda mais restritiva, emagrece, porém é muito difícil manter o peso conseguido após muita restrição.

Quanto maior for a restrição, mais o corpo tenta se proteger, os sinais de fome e saciedade ficam prejudicados, você pensa mais em comida, come mais, come pior, come com culpa e a culpa faz comer mais ainda. É possível que nessa hora você pense em fazer uma nova dieta pensando “quem sabe essa dê certo”! Infelizmente a chance de ter os mesmos problemas é imenso.

E como resolvemos isso? Mudança de comportamento! Você precisa mudar a forma de viver, isso mesmo! Estar saudável é mudança de estilo de vida, é praticar atividade física, não estou falando aqui de ir para academia somente, estou falando de ser ativo no dia-a-dia, subir escadas, andar, estacionar o carro mais longe, coisas do tipo, além de voltar a se conectar com seu corpo, perceber sinais de fome e saciedade, melhorar o relacionamento com a comida, comer com atenção, devagar, cozinhar e dormir bem.

Se você deseja emagrecer, precisa entender o que te fez engordar, quais são as causas. Somente tratando a causa é que teremos resultado!

“Mude
Mas comece devagar, porque a direção
é mais importante que a velocidade.”

Edson Marques

Como manter a “dieta” nas festas de fim de ano?

Essa é uma das perguntas que mais escuto nessa época do ano: “nutri, socorro, como manter a dieta no natal e ano novo?”

Começando desde o principio, eliminaremos essa palavrinha dieta e pensaremos sobre as nossas queridas festas de fim de ano.

Como o próprio nome já diz, essas festas ocorrem somente uma vez no ano e quem tem uma alimentação equilibrada durante todo esse tempo não vai ser prejudicado por conta de um período pequeno.  Outra coisa importante é que nas festas é preciso se comportar frente a comida como em qualquer dia do ano, comer com atenção, tendo noção das quantidades consumidas.

Mas nutri? E aquele monte de comida? Vou poder comer?

Então, isso realmente é uma coisa a se pensar, é necessário ter 20 tipos de sobremesa, 5 tipos de proteína, e tudo mais? Muitas vezes fazemos muita comida sem necessidade, aumentando assim a compulsão por querer comer de tudo um pouco. O ideal é fazer uma ceia mais concisa, mas sim, cheia de sabor, pratos gostosos e saborosos, assim, você experimenta um pouco de tudo e não fica com o sentimento de querer comer as outras mil coisas que estão na mesa.

Natal é um período de confraternização, amor, troca entre familiares, amigos e tantas coisas boas e não é hora para pensar em calorias. Nós temos uma cultura alimentar e no natal é época de panetone, peru, rabanada, será que faz sentido se poupar de comer esses alimentos que normalmente só se come uma vez no ano e trocá-los por salada com frango grelhado, panetone fit ou sorvete de whey?

 

XUXUTONE

Então eu posso comer panetone? PODE!

Posso comer peru? PODE!

Posso comer bolo de sobremesa? PODE!

Mas então, como proceder? Vou comer muito e engordar muitos quilos nesses dias?

Não tenha medo! Coma devagar, mastigue, saboreie o alimento, escute seu corpo e coma o que sentir vontade.

Resumindo, o Natal deve ser uma refeição como outra qualquer do ano, essa preocupação excessiva aumenta ainda mais nossa ansiedade frente a comida e nos faz comer mais, se formos para a ceia com tranquilidade, pensando nos momentos agradáveis e felizes que vamos passar com nossos familiares e amigos, com certeza nosso foco muda e não fica somente na comida.

Uma ceia saudável é aquela que nos traz prazer e harmonia. Falando de conceitos nutricionais, se optarmos pelos alimentos mais naturais, diminuir a quantidade dos industrializados e processados, abusarmos das frutas, saladinhas, substituir refrigerantes e sucos industrializados por suco natural, não há problema algum em ter um peru, de preferência com tempero caseiro, evitando aqueles já temperados, ou um doce feito com açúcar refinado de sobremesa. Aliás gente, qual é o problema de comer um docinho? E não só de final de semana não, vamos adoçar a vida!

Tudo isso é uma questão de equilíbrio, de incluir alimentos que tenham um real significado para você e sua família. Que tal aproveitar a véspera e chamar sua família para cozinhar algum prato especial, ou então, irem todos à feira comprar os ingredientes. São esses momentos que ficarão guardados na memória de todos.

Respondendo a pergunta inicial: como manter a “dieta” nas festas de fim de ano? Não mantenha, aproveite que um novo ano está surgindo e mude! Mude seu relacionamento com a comida, tenho certeza que você não vai se arrepender!

Nossa, como você engordou?

Essa semana atendi uma paciente na casa dos 50 anos, que me relatou um medo grande de engordar, ela me procurou para ajudá-la nesse processo de emagrecimento, conversamos bastante e ela me contou que sua mãe tem um medo ainda maior que o dela de engordar e que até hoje comenta que ela está gorda ou que ela não emagrece porque está comendo isso ou aquilo.

Ela também me contou que comia escondida quando morava com a mãe e que quando foi morar sozinha passou a comer muito, justamente porque não tinha ninguém julgando o seu comportamento. Vocês acreditam que o ganho de peso dela tem a ver com o comportamento da mãe? Eu digo para você que sim, pode não ser a única causa, mas com certeza isso influenciou.

Reflita comigo: quantas vezes você já comentou sobre o corpo de uma outra pessoa? Você já julgou alguém pelo que ela estava comendo?

Você já reparou que basta a gente engordar 1 ou 2 kg que as pessoas já vem comentar que engordamos, que estamos comendo demais, entre outras coisas. O contrário também é bem comum, quando a gente emagrece as pessoas vem com aquele sorriso e alegria perguntando como conseguimos emagrecer, qual o segredo, entre outros.

Já ouvi muitas vezes pessoas dizendo: “Ah você estava doente? Poxa, pelo menos você emagreceu…” Olha como isso é sério, achar que emagrecer por uma doença é saudável.. Vamos nos policiar mais, não importa se a pessoa engordou ou emagreceu, isso não te diz respeito, você não sabe o que aquela pessoa está passando, quais são seus problemas ou motivos para aumento ou diminuição de peso. Isso é tão importante para você? Não devemos rotular ninguém pelo peso!!

Mães, pais, avôs, avós, tios e tias, cuidado com o julgamento com as crianças, cuidado com os comentários sobre peso, posso dizer que a grande maioria dos casos de anorexia, bulimia ou compulsão alimentar vem por essa cobrança de um peso x ou y. Podemos sim tratar a obesidade, sobrepeso e emagrecimento de uma maneira mais leve, sem julgamento.

Procure ajuda de um profissional qualificado e que não te julgue!
Você já sofreu com esse tipo de comentário? Conta aqui pra mim..

Por que não acredito em dietas e nem todos os meus pacientes recebem um plano alimentar?

Sou formada há 7 anos e sempre fui apaixonada por nutrição, desde o ensino médio tinha o sonho de cursar a faculdade. Consegui, finalizei e uma nova angustia começou a me perseguir: toda vez que eu ia calcular um cardápio era um sofrimento, estava tudo lindo, masssssss a proteína estava acima da recomendação, diminuía a proteína e a gordura aumentava, mudava a gordura e faltava vitaminas, enfim… e eu comecei a pensar que era humanamente impossível comer sempre a mesma coisa todos os dias e que se trocássemos por qualquer alimento da lista de substituição, alguma coisa iria ficar “fora nos cálculos”.

Cheguei a conclusão que calcular dieta não era para mim, mas todos meus pacientes me cobravam uma dieta, e fui percebendo que a pessoa queria a dieta, mas dificilmente conseguia seguir.

De um modo geral, as pessoas têm uma ideia fixa da nutrição, uma grande importância ao papel/dieta, aos alimentos “milagrosos”, o que pode ou não comer e esquecem de avaliar o próprio corpo, como ele reage e se comporta aos alimentos.

papel da nutricionista

É claro que em alguns casos o plano alimentar é muito importante, por exemplo, com atletas ou doenças específicas, mas não é necessário para todos, posso dizer que a grande maioria das pessoas não precisa desse plano alimentar ou dieta toda certinha e calculada.

Fui conhecendo novas abordagens, aquelas que faziam meus olhos brilharem e quando tive a oportunidade de viajar para Europa eu vi como os hábitos deles eram diferentes do nosso, sem tanta restrição, comendo com prazer, calma e caminhando muito (muito mesmo, é impressionante como se anda por lá rs).

Desde então mudei totalmente minha forma de pensar sobre alimentação, não só profissionalmente, mas na minha vida pessoal, e fazer cardápio/dieta já não fazia parte dos meus valores, do que eu acreditava e acredito.

Acredito em uma alimentação sem restrições, o que não quer dizer que a pessoa deva comer o que quiser, em qualquer momento e sem nenhum critério, mas sim, prestar atenção nas suas escolhas e vontades. Uma alimentação leve, prazerosa, respeitando seus sinais internos de fome e saciedade, suas emoções, suas culturas e crenças, vai ser uma alimentação para a vida inteira, consistente, isso te trará benefícios físicos e emocionais, e isso sim, será duradouro.

A alimentação consciente leva em conta suas sensações de fome. Será que você, todo dia, tem o mesmo nível de fome ou está sempre comendo a mesma quantidade só porque te disseram que aquela quantidade era a certa? Nossa fome varia de acordo com a temperatura, nível de atividade física, horas de sono, etc. Um cardápio que determina o que você deve comer todos os dias não leva em conta que você tem vontades diferentes.

Não ter um cardápio pronto vai fazer você ter mais autonomia sobre sua própria alimentação, pensar e refletir sobre suas escolhas e conseqüências delas.

Hoje o que faz meus olhos brilharem é ver meus pacientes se conhecendo melhor e vivendo em harmonia com seus corpos e alimentos ao seu redor.

E você, é muito dependente de um cardápio? Acha possível ter uma alimentação bacana ouvindo seu corpo? Conta pra mim!! 

Sugestão de Leitura: O Peso das Dietas

 

Hoje venho aqui sugerir um livro que eu realmente amo e acredito que deveria ser uma leitura obrigatória para quem deseja ter uma alimentação mais saudável e consciente.

O Peso das Dietas foi escrito pela Sophie Deram, uma nutricionista francesa e brasileira naturalizada, especialista em comportamento alimentar e ativista contra dietas restritivas. Ela acredita no prazer de comer e no poder dos alimentos verdadeiros para resgatar a saúde e chegar ao peso saudável.

No livro ela aborda o porquê, mesmo fazendo tantas dietas, o mundo continua engordando, aborda entre outros temas, as mudanças na sociedade, falta de tempo, insatisfação corporal e ditadura da magreza e beleza. Ela também explica um pouquinho sobre a obesidade e os transtornos alimentares, alimentação consciente e como nosso cérebro controla fome, apetite e saciedade.

Sophie acredita no prazer de comer e no poder dos alimentos verdadeiros para resgatar a saúde e chegar ao peso saudável.

Uma parte que gosto bastante é o capitulo que fala “Por que você quer emagrecer? Será que precisa mesmo?” e do “Faça as pazes com seu corpo”, quando a gente se ama a gente cuida mais de si, se importa mais, o segredo para o auto cuidado é se amar!

Ela termina o livro com várias receitas caseiras e fáceis para o dia a dia. Ela, assim como eu, é super adepta do “vamos voltar a cozinhar”.

O livro tem 315 páginas e é de uma leitura fácil e gostosa.

Se quiser saber mais um pouquinho sobre a Sophie deixo aqui uma das redes sociais dela com várias dicas fáceis e práticas.

E você, já leu o livro? Ficou interessado? Conte pra gente!