Meu Filho Não Come

 

Durante a minha prática clínica e atendimento em consultório, acredito que essa foi uma das queixas mais abordadas pelos pais, “já fiz de tudo para meu filho comer e ele não aceita nada”, “se deixar, ele passa o dia todo sem comer”, “ele não quer experimentar nada”, entre outras frases.

Denominamos esse comportamento de Neofobia Alimentar, o que nada mais é do que o medo do novo, medo de experimentar novos alimentos. Esse comportamento normalmente acontece por volta dos 2 anos, justamente pela maior autonomia que a criança passa a ter nesse período.

A neofobia alimentar não é sempre negativa, ela é uma proteção inata que temos aos alimentos, evitando consumo de alimentos tóxicos, ou seja, a criança precisa sentir segurança em comer determinado alimento, quanto mais ela vê os pais ou pessoas próximas consumindo uma grande variedade de alimentos, ela será estimulada a experimentá-los e se sentirá mais segura. Esse processo é de fundamental importância.

Acredito que muitos pais já devem ter sidos orientados com relação ao número de vezes que uma criança precisa estar exposta a um determinado alimento, realmente a criança precisa ser exposta a um tipo de alimento por volta de 10 vezes para realmente afirmamos que ela não o aceita. O paladar tende a mudar a partir da 7° tentativa e o que muitas vezes vemos é que os pais desistem antes de toda essa exposição, lembrando que o mesmo alimento deve ser oferecido com diferentes tipos de preparações.

É importante fazer a criança sentir prazer ao se alimentar, quanto mais a criança é pressionada a comer, maior é o estresse, liberação de cortisol e consequentemente, há uma diminuição do apetite, além de sempre ligar o momento das refeições a um momento estressante e sem prazer.

Outro ponto importante é verificar se os pais não estão querendo que a criança coma mais do que realmente ela sente fome, após os dois anos há uma desaceleração do crescimento e a criança passa a comer menos, além de que, como comentamos no início, ela tem uma maior autonomia, novas descobertas e acaba perdendo um pouco do interesse pela comida.
A dica que dou para os pais nesse momento é, acalmem o coração, sejam exemplos dentro de casa, consumam uma variedade grande de alimentos, tenham disponíveis em casa todos os tipos de alimentos, principalmente os não aceitos pelo pequeno, façam com que a criança tenha fácil acesso a esse alimento, não adianta ter frutas, verduras e legumes na geladeira ou na fruteira longe do alcance da criança, a disponibilidade aos alimentos deve ser percebida por ela, os alimentos devem estar na refeição, mesmo que a princípio ela não coma.

Ame-se e tenha um comportamento e atitude alimentar saudável, não substitua os alimentos que seu filho não gosta por outro que ele goste, seja autoridade em sua casa, lembre-se que ser autoridade é diferente de ser autoritário (posso falar um pouquinho sobre isso depois), não use recompensas ou prêmios.

Observe como é o comportamento alimentar do seu filho na escola ou na casa dos colegas, se ele é seletivo somente em casa, esse comportamento pode ser muito mais do que um problema alimentar, algumas vezes uma forma de chamar a atenção, entre outras coisas.
A alimentação deve ser sempre prazerosa, um momento de interação entre a família, associe os alimentos a esses momentos, marque um piquenique no parque e peça pra criança ajudar no preparo dos alimentos, peça ajuda dela para definir o cardápio (sempre dentro do que os pais achem pertinentes), acredite no seu filho, façam as refeições juntos e estejam sempre presentes.

Lembre-se que o processo de familiarização com a comida é mais importante do que o fato de ela comer no final, esse processo precisa ser frequente e regular. Mantendo uma boa relação com a alimentação do seu filho, mais cedo ou mais tarde ele irá aprender a comer quase de tudo (não esqueça que é normal não gostar de alguns alimentos, você come de tudo?)

Deixo aqui uma frase pra refletirmos: “Amor e confiança são mais importantes do que uma mordida de brócolis”.

A importância da refeição em família

 

 

Antes de tudo, quem você convidaria para o jantar de hoje?

Esses dias estava refletindo em como estamos desperdiçando nosso tempo com coisas que realmente não valem a pena, ou então, gastando o tempo com coisas que julgamos importantes, mas que no fim não sabemos.

Fico triste em saber que hoje as famílias não se sentam à mesa para fazer uma refeição juntas. Você pode me dizer: “nossa, mas eu não tenho tempo”, “trabalho o dia inteiro e não tenho tempo de cozinhar”, “faço minhas refeições no trabalho e a noite comemos qualquer coisa”.

Escuto essas frases quase todos os dias e fico pensando, será que gastar um tempo preparando a nossa refeição realmente é tão sem importância assim?

Entendo como é difícil, mas não é impossível. Precisamos dividir responsabilidades entre todos da casa, inclusive com os filhos, a organização do tempo disponível vai ser fundamental nesse processo; realmente se após o trabalho formos tentar preparar algo, provavelmente vamos comer o que tiver mais fácil, sem atenção e muitas vezes cada um em um espaço da casa, um vendo TV, outro mexendo no computador, outro no celular.

A alimentação em família é um momento muito importante, é aquele momento em que podemos contar sobre os acontecimentos do dia (muitas vezes todos os integrantes da casa só se vêem no final do dia), é o momento onde as crianças vão conhecer novos alimentos e observar os pais, é o momento de ter atenção plena ao alimento, momento de descobrir novos sabores e sentidos, é o momento para estarmos longe de distrações (TV, celular, computador, tablet, etc.)

Já é certo que crianças que têm a oportunidade de comer com a família em um momento de prazer, são crianças com melhor relacionamento – inclusive com os próprios pais.

Que tal relembrar um pouquinho da sua infância, lembrar dos domingos com a família reunida, como você se sentia? Você não quer proporcionar esses momentos para seu filho?

E então, quem você convidaria para jantar?