Férias, e agora?

Acabei de voltar de férias e foi tudo maravilhoso, fui fazer um intercâmbio em Malta de 4 semanas e tive a oportunidade de conhecer um pedacinho da Sicília e Suíça. Foi tão incrível que só de pensar me dá uma saudade imensa.

Antes da viagem estava um pouco preocupada, meu medo era de não conseguir fazer nenhuma atividade física, de não ter comida fresca para comer, de engordar muito, entre outras coisas. Já contei aqui que fui uma criança e adolescente gordinha e que mesmo após emagrecer, toda viagem eu acabava engordando alguns quilinhos.

Chegando lá, depois da primeira semana, acabei relaxando sobre esses pensamentos e para minha surpresa, acabei voltando mais magra.

Lição que eu aprendi com isso, respeite muito seu corpo, sua fome e saciedade, durante a viagem tentei exercitar bastante isso, acabei comendo de tudo, mas não me senti cheia e desconfortável, como já me senti algumas vezes. Experimentei todas as delicias de que tive vontade, a comida era muito saborosa, muita influência italiana, massas e sorvetes deliciosos, até os sanduíches eram uma delicia, os chamados paninis, super frescos e bem feitos.

À noite, no jantar, tínhamos uma comidinha bem fresca e natural da nossa host, isso me ajudou muito, mas de sobremesa sempre tinha um pedacinho de Lindt ou Milka (sou viciada nesse chocolate hehe).

Sobre a atividade física, nunca tive o costume de correr durante as férias, mas dessa vez como ficaríamos 30 dias resolvi levar todas as minhas roupas e tênis… usei uma vez!! haha

O fato era que andávamos no mínimo 4 quilômetros todos os dias para ir e voltar da escola, e além disso andávamos muito em todos os passeios, em nenhum momento me senti “sedentária”, quando eu fico muito tempo sem fazer exercício sempre tenho uma sensação estranha, de cansaço, dor e nesses 30 dias me senti ótima, com muita energia, era um grande prazer andar pelo país, um sol agradável, paisagens lindas, hoje sinto falta dessa minha caminhada de todos os dias.

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O que quero dizer para você é: relaxe!! Quando a gente começa a se autoconhecer e a identificar seus sinais de fome e saciedade, você pode estar na sua casa, em outra cidade, em outro país, que você vai saber lidar com a comida que lhe é oferecida.

Não pense nisso:

“E se eu engordar nas férias?”

Ah, lembra das vezes que eu disse que engordei um pouquinho nas férias, meu peso logo voltou ao normal com a volta da minha rotina habitual, ou seja, de uma forma ou de outra, seu corpo vai saber como resolver seu problema, só acredite mais nele!

As minhas dicas para as férias são:

– Primeiramente, aproveite, aproveite tudoooo, seja ficando em casa descansando ou indo viajar, experimente novos alimentos, desfrute dos momentos agradáveis com amigos e família;

– Não se preocupe tanto com seu peso e sobre calorias, foque sua atenção na questão da fome e saciedade;

– Equilíbrio: tente sempre optar pelos alimentos mais frescos e naturais, mas de vez em quando se permita comer algum outro alimento que você tenha vontade e sem culpa;

– Evite os fast foods e comidas muito industrializadas, é super possível comer bem em qualquer lugar, basta ter curiosidade de procurar novos locais, mercados municipais, etc;

– Se você gosta de fazer atividade física, faça! Mas faça se você realmente gosta e não por obrigação, lembre-se, suas férias são para relaxar e não para se estressar. Se for possível fazer passeios ao ar livre e a pé, aproveite, é muito gostoso conhecer uma cidade andando.

Você já se preocupou muito com ganho de peso durante alguma viagem? Conta pra mim!!

Have a nice trip, vjaġġ tajba (boa viagem em Maltês), buona vacanza, boas férias!!!!

Por que não acredito em dietas e nem todos os meus pacientes recebem um plano alimentar?

Sou formada há 7 anos e sempre fui apaixonada por nutrição, desde o ensino médio tinha o sonho de cursar a faculdade. Consegui, finalizei e uma nova angustia começou a me perseguir: toda vez que eu ia calcular um cardápio era um sofrimento, estava tudo lindo, masssssss a proteína estava acima da recomendação, diminuía a proteína e a gordura aumentava, mudava a gordura e faltava vitaminas, enfim… e eu comecei a pensar que era humanamente impossível comer sempre a mesma coisa todos os dias e que se trocássemos por qualquer alimento da lista de substituição, alguma coisa iria ficar “fora nos cálculos”.

Cheguei a conclusão que calcular dieta não era para mim, mas todos meus pacientes me cobravam uma dieta, e fui percebendo que a pessoa queria a dieta, mas dificilmente conseguia seguir.

De um modo geral, as pessoas têm uma ideia fixa da nutrição, uma grande importância ao papel/dieta, aos alimentos “milagrosos”, o que pode ou não comer e esquecem de avaliar o próprio corpo, como ele reage e se comporta aos alimentos.

papel da nutricionista

É claro que em alguns casos o plano alimentar é muito importante, por exemplo, com atletas ou doenças específicas, mas não é necessário para todos, posso dizer que a grande maioria das pessoas não precisa desse plano alimentar ou dieta toda certinha e calculada.

Fui conhecendo novas abordagens, aquelas que faziam meus olhos brilharem e quando tive a oportunidade de viajar para Europa eu vi como os hábitos deles eram diferentes do nosso, sem tanta restrição, comendo com prazer, calma e caminhando muito (muito mesmo, é impressionante como se anda por lá rs).

Desde então mudei totalmente minha forma de pensar sobre alimentação, não só profissionalmente, mas na minha vida pessoal, e fazer cardápio/dieta já não fazia parte dos meus valores, do que eu acreditava e acredito.

Acredito em uma alimentação sem restrições, o que não quer dizer que a pessoa deva comer o que quiser, em qualquer momento e sem nenhum critério, mas sim, prestar atenção nas suas escolhas e vontades. Uma alimentação leve, prazerosa, respeitando seus sinais internos de fome e saciedade, suas emoções, suas culturas e crenças, vai ser uma alimentação para a vida inteira, consistente, isso te trará benefícios físicos e emocionais, e isso sim, será duradouro.

A alimentação consciente leva em conta suas sensações de fome. Será que você, todo dia, tem o mesmo nível de fome ou está sempre comendo a mesma quantidade só porque te disseram que aquela quantidade era a certa? Nossa fome varia de acordo com a temperatura, nível de atividade física, horas de sono, etc. Um cardápio que determina o que você deve comer todos os dias não leva em conta que você tem vontades diferentes.

Não ter um cardápio pronto vai fazer você ter mais autonomia sobre sua própria alimentação, pensar e refletir sobre suas escolhas e conseqüências delas.

Hoje o que faz meus olhos brilharem é ver meus pacientes se conhecendo melhor e vivendo em harmonia com seus corpos e alimentos ao seu redor.

E você, é muito dependente de um cardápio? Acha possível ter uma alimentação bacana ouvindo seu corpo? Conta pra mim!! 

Mindful Eating – Comendo com Atenção Plena

Muito tem se falado atualmente sobre o Mindful Eating e muitas pessoas já estão ligando a prática a algum tipo de dieta ou nova forma de emagrecimento, é preciso ter em mente que o Comer com Atenção Plena é comer de uma forma não julgadora, baseada em evidências, que sim, está na moda, mas não é modismo, é pautada em saúde e bem-estar. Não é uma dieta com regras, receitas ou cardápios.

“Mindful Eating ou comer com atenção plena é comer com atenção, sem julgamento ou crítica às sensações físicas e emocionais despertadas durante o ato de comer, é o comer envolvendo todas as partes do corpo, mente e coração, na escolha e preparo da comida, bem como no ato de comê-la em si. Envolve todos os sentidos, nos conecta aos nossos sinais internos de fome e saciedade. Comer com atenção plena é muito mais complexo do que simplesmente comer devagar, prestando atenção ao que está comendo.”

Para comer com atenção plena é preciso acreditar no nosso “nutricionista interno”. Nosso corpo é preparado para identificar os momentos de fome e os momentos em que se sente saciado, acabamos perdendo essa ligação com o corpo e mente devido o ambiente que vivemos, trazendo expectativas, regras, planos, preocupações. Um exemplo disso é a páscoa, vemos tantos ovos pendurados no mercado e muitas vezes compramos um sem ao menos raciocinar, muitas vezes você foi ao mercado comprar qualquer outra coisa, mas por conta de exposição acaba levando também o ovo de páscoa. Há também a questão do tamanho das porções, tudo o que vamos comer é grande, pipoca grande, refrigerante grande, vemos um boom de promoções para a aquisição das porções maiores, muitas vezes levamos somente pele preço e nem nos preocupamos se realmente estamos com fome para ingerir aquela quantidade.

Alguns passos para comer com atenção plena:

– Desacelere, coma devagar, faça uma pausa antes de começar a comer;

– Faça do horário das refeições uma prioridade, não coloque muitas atividades para serem feitas durante seu horário de almoço e/ou jantar;

– Reflita sobre como você vai se sentir após comer;

– Evite repetir;

– Coma com atenção, o comer distraído aumenta a ingestão alimentar no momento e nas refeições subsequentes;

– Ponha a mesa, trate-se como um convidado;

– Coma sem culpa;

– Se pergunte antes de comer: “Estou realmente com fome?” “Essa fome é física ou emocional?” “O que irá me saciar?” “Quanto eu coloco no meu prato? ”

Seja um observador de si mesmo.

Pratique atenção plena para que ela se torne um hábito!!

Não esqueça: “Make progress, not perfection.”

 

Como lidar com o chocolate na páscoa?

Hoje, quinta-feira santa, acredito que todos vocês já estejam pensando sobre os chocolates que serão consumidos no domingo. Já vi muitos memes na internet sobre páscoa, chocolate, muitos deles restritivos.

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Além das famosas substituições dos ovos por frutas e legumes, tem também a ideia clara que após o domingo iremos engordar muito.

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É preciso saber que quanto mais restritivo for nosso pensamento, maior será nossa compulsão alimentar por ele. Imagina todos seus amigos e familiares comendo chocolate e você se enganando com uma fruta ou um ovo FIT. Vai ser uma sensação boa? Como você se sentiria nessa situação?

O grande segredo é encarar a páscoa como parte de uma celebração e sim, é um dia normal, um dia que terá uma oferta maior de chocolate e que sim, você vai poder consumi-los. Nesse momento, lembre que você pode consumir chocolate quando quiser, coma o chocolate com atenção, apreciando cada mordida, sentindo seu aroma e sabor, além de principalmente fazer isso sem culpa e julgamentos.

Lembre-se que um dia não faz ninguém engordar dessa forma, o que faz com que engordemos é um conjunto de hábitos que devem ser analisados com calma e com ajuda profissional.

Você não precisa se controlar, ser super disciplinada para manter ou perder peso. Você precisa se aceitar, ser feliz e ter prazer ao se alimentar.

Desejo um Feliz Páscoa com muita alegria, paz e chocolates deliciosos!

Fome física x fome emocional: como lidar com as emoções sem usar a comida!

Comer é muito mais do que um ato de simplesmente ingerir nutrientes, comer é uma conexão entre se nutrir com emoções e comportamentos variados. A comida está ligada ao afeto e amor. Já parou para pensar que todas as grandes comemorações são feitas em torno de uma mesa ou com comida envolvida? Em um aniversário fazemos um bolo para o aniversariante, quando nosso filho está doente ou chateado, preparamos seu alimento predileto, quando queremos reunir a família, fazemos um grande almoço, o marido dá flores com chocolate para a mulher no aniversário de casamento, e temos tantos outros exemplos que poderia ficar aqui falando e falando, mas o que quero mostrar é que dar e receber comida está relacionado a rituais e celebrações.

Essa ligação é natural e saudável, o problema é quando passamos a usar a comida para “tapar buracos” emocionais, chamamos isso de comer emocional, quando não é possível diferenciar a sensação de fome de outras sensações corporais e passamos a comer por medo, ansiedade, alegria, tristeza, etc. Muitas vezes esse comportamento começa na infância, quando os pais oferecem comida como recompensa, tentando suprir ausência ou mesmo demonstração de amor.

E o que fazer?

Primeiramente é preciso pensar que ansiedade, solidão, tristeza, raiva e muitos outros sentimentos acontecerão durante a vida toda e que a comida não vai “resolver” esses sentimentos, pode apenas distrair, anestesiar ou mudar o foco, porém, no fim, até piora o problema.

Toda vez que você for se alimentar, pare, respire fundo e se questione: “Do que preciso? Será que preciso de comida ou de um abraço, carinho, companhia, afeto? Como faço para atender o que eu realmente preciso?”

Se perguntar sempre antes de comer se está realmente com fome ou se essa sensação é outra coisa, se for fome, coma. Caso não seja, deve-se buscar outras formas de resolver o problema. Por exemplo, ao se sentir solitário, como você poderia resolver isso? Pode-se ligar ou mandar mensagem para um amigo, escrever em um diário. Se estiver entediado, pode-se assistir um filme, ouvir música, ler um livro ou fazer alguma atividade que te dê prazer.

Quando não conseguir evitar o comer emocional, olhe essa experiência como um aprendizado e não como uma falha.

E você, acha que já teve em algum momento esse comportamento? Como faz para lidar com ele?

Nutri, eu preciso emagrecer!!!

Essa é a umas das frases mais faladas pelos meus pacientes. Não sei se todos sabem, mas faço atendimento tanto particular quanto na rede pública de um município da Grande São Paulo e esse pedido é comum nos dois lugares, mesmo com perfis tão distintos.

Essa semana atendi uma mulher jovem, na casa dos 30 anos, ansiosa, chegou falando rápido e seu primeiro pedido foi: “Dra., eu preciso emagrecer!”. Sabe aquele pedido cheio de significados, cheio de angustia, e sim, era um pedido de ajuda.

Aos poucos fomos conversando e ela se acalmou. No caso dela, o pedido do emagrecimento era por conta do casamento que será em novembro e ela “precisa” entrar em um vestido bonito, porque “os vestidos mais bonitos são para magras”.

Nesse momento meu coração ficou apertadinho, eu também casei a pouco tempo e sei como esse momento é tão especial na vida de uma mulher, me lembrei do dia que fui escolher meu vestido de noiva e fiquei encantada logo pelo primeiro que experimentei. Lembrei também que a minha única preocupação era me sentir a noiva mais linda e eu me senti. Pensei comigo, será que essa moça, linda, cheia de expectativas, irá conseguir se sentir linda nesse momento? Eu acho que não!! Sabe por quê? Porque ela não se acha linda, ela acha que a beleza está ligada a ser magra e que pode acabar perdendo o noivo por não estar tão bela.

Conversamos muito e sabe qual foi a meta de perda de peso que passei para ela? Nenhuma! A meta para próxima semana foi se amar mais, olhar no espelho e se sentir bonita, pensar em alguma atividade que ela se identifique e goste de fazer. Lógico que conversamos sobre nutrição e pedi para ela comer um pouco mais devagar, tomar mais água, algumas pequenas coisas que vi que seriam possíveis de ir mudando nesse início.

Ainda teremos um tratamento longo pela frente, mas meu desejo é que essa moça, no dia de seu casamento, se sinta linda independente do número da balança, que ela se aceite e se ame!

E você, já parou para pensar porque quer emagrecer? Será que é porque você não está se sentindo bem e sabe que tem hábitos que podem ser mudados e quer uma qualidade de vida melhor? Ou será que você quer emagrecer porque seu marido, pais, amigos, dizem que é preciso? Ou porque a blogueira musa-fitness tem um corpo maravilhoso e você quer ser como ela?

Restaurantes estilo self service, você tem medo?

 

Muito pacientes me perguntam sobre o que fazer quando estão fora de casa.  Na maioria dos casos esses pacientes almoçam em restaurantes todos os dias. Bom, caso você não consiga ou não possa levar sua marmita ao trabalho, restam algumas opções de restaurantes e locais de alimentação. Uma delas é o restaurante self service.

Obviamente que levar a sua marmita é mais interessante, sabemos exatamente o quanto de óleo  e sal estamos utilizando, não usamos temperos industrializados e sabemos a procedência de todos os alimentos, mas se essa não é sua rotina, é possível ter uma alimentação bacana em restaurantes prestando atenção em alguns pontos.

Primeiramente, a maior queixa desses restaurantes é a grande variedade de alimentos, que para mim, é mais uma vantagem do que uma desvantagem, porém muitas vezes acabamos pegando de tudo um pouco e fazendo um prato muito além da nossa fome. Então, chegando ao restaurante, dê uma olhada em todos os alimentos disponíveis e escolha dentro de uma refeição equilibrada o que você vai colocar no prato, não fique triste caso tenha muitos alimentos que você goste, normalmente nos outros dias esse preparo vai estar lá novamente e você vai poder comer normalmente.

Deixo aqui a figura do prato saudável para ilustrar um pouco. Lembre-se que isso é só uma ilustração, para saber exatamente o que é melhor para você é importante consultar um profissional nutricionista, já que cada pessoa é única.

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(Imagem retirada do site Nutri Soft Brazil)

Outro ponto importante é comer com atenção, sempre prestando atenção na saciedade. Muitas vezes pegamos mais comida do que poderíamos comer, mas como essa comida está no prato acabamos comendo, isso é um erro bem recorrente. Quando comemos devagar, prestando atenção nos alimentos, acabamos comendo menos, pois nos sentimentos saciados. Caso ainda tenha comida no prato você não precisa comer, só fique atento para não repetir o erro no dia seguinte.

Tente ir ao restaurante sempre acompanhado, normalmente isso evita que se coma rapidamente, facilita também o entrosamento de grupos, aumenta o senso de pertencimento e contribui para o bom desempenho de tarefas do trabalho.

E você? Consegue levar marmita para o trabalho ou acaba comendo em restaurantes? Tem alguma dificuldade nesse sentido? Conta pra gente!

 

Meu Filho Não Come

 

Durante a minha prática clínica e atendimento em consultório, acredito que essa foi uma das queixas mais abordadas pelos pais, “já fiz de tudo para meu filho comer e ele não aceita nada”, “se deixar, ele passa o dia todo sem comer”, “ele não quer experimentar nada”, entre outras frases.

Denominamos esse comportamento de Neofobia Alimentar, o que nada mais é do que o medo do novo, medo de experimentar novos alimentos. Esse comportamento normalmente acontece por volta dos 2 anos, justamente pela maior autonomia que a criança passa a ter nesse período.

A neofobia alimentar não é sempre negativa, ela é uma proteção inata que temos aos alimentos, evitando consumo de alimentos tóxicos, ou seja, a criança precisa sentir segurança em comer determinado alimento, quanto mais ela vê os pais ou pessoas próximas consumindo uma grande variedade de alimentos, ela será estimulada a experimentá-los e se sentirá mais segura. Esse processo é de fundamental importância.

Acredito que muitos pais já devem ter sidos orientados com relação ao número de vezes que uma criança precisa estar exposta a um determinado alimento, realmente a criança precisa ser exposta a um tipo de alimento por volta de 10 vezes para realmente afirmamos que ela não o aceita. O paladar tende a mudar a partir da 7° tentativa e o que muitas vezes vemos é que os pais desistem antes de toda essa exposição, lembrando que o mesmo alimento deve ser oferecido com diferentes tipos de preparações.

É importante fazer a criança sentir prazer ao se alimentar, quanto mais a criança é pressionada a comer, maior é o estresse, liberação de cortisol e consequentemente, há uma diminuição do apetite, além de sempre ligar o momento das refeições a um momento estressante e sem prazer.

Outro ponto importante é verificar se os pais não estão querendo que a criança coma mais do que realmente ela sente fome, após os dois anos há uma desaceleração do crescimento e a criança passa a comer menos, além de que, como comentamos no início, ela tem uma maior autonomia, novas descobertas e acaba perdendo um pouco do interesse pela comida.
A dica que dou para os pais nesse momento é, acalmem o coração, sejam exemplos dentro de casa, consumam uma variedade grande de alimentos, tenham disponíveis em casa todos os tipos de alimentos, principalmente os não aceitos pelo pequeno, façam com que a criança tenha fácil acesso a esse alimento, não adianta ter frutas, verduras e legumes na geladeira ou na fruteira longe do alcance da criança, a disponibilidade aos alimentos deve ser percebida por ela, os alimentos devem estar na refeição, mesmo que a princípio ela não coma.

Ame-se e tenha um comportamento e atitude alimentar saudável, não substitua os alimentos que seu filho não gosta por outro que ele goste, seja autoridade em sua casa, lembre-se que ser autoridade é diferente de ser autoritário (posso falar um pouquinho sobre isso depois), não use recompensas ou prêmios.

Observe como é o comportamento alimentar do seu filho na escola ou na casa dos colegas, se ele é seletivo somente em casa, esse comportamento pode ser muito mais do que um problema alimentar, algumas vezes uma forma de chamar a atenção, entre outras coisas.
A alimentação deve ser sempre prazerosa, um momento de interação entre a família, associe os alimentos a esses momentos, marque um piquenique no parque e peça pra criança ajudar no preparo dos alimentos, peça ajuda dela para definir o cardápio (sempre dentro do que os pais achem pertinentes), acredite no seu filho, façam as refeições juntos e estejam sempre presentes.

Lembre-se que o processo de familiarização com a comida é mais importante do que o fato de ela comer no final, esse processo precisa ser frequente e regular. Mantendo uma boa relação com a alimentação do seu filho, mais cedo ou mais tarde ele irá aprender a comer quase de tudo (não esqueça que é normal não gostar de alguns alimentos, você come de tudo?)

Deixo aqui uma frase pra refletirmos: “Amor e confiança são mais importantes do que uma mordida de brócolis”.

A importância da refeição em família

 

 

Antes de tudo, quem você convidaria para o jantar de hoje?

Esses dias estava refletindo em como estamos desperdiçando nosso tempo com coisas que realmente não valem a pena, ou então, gastando o tempo com coisas que julgamos importantes, mas que no fim não sabemos.

Fico triste em saber que hoje as famílias não se sentam à mesa para fazer uma refeição juntas. Você pode me dizer: “nossa, mas eu não tenho tempo”, “trabalho o dia inteiro e não tenho tempo de cozinhar”, “faço minhas refeições no trabalho e a noite comemos qualquer coisa”.

Escuto essas frases quase todos os dias e fico pensando, será que gastar um tempo preparando a nossa refeição realmente é tão sem importância assim?

Entendo como é difícil, mas não é impossível. Precisamos dividir responsabilidades entre todos da casa, inclusive com os filhos, a organização do tempo disponível vai ser fundamental nesse processo; realmente se após o trabalho formos tentar preparar algo, provavelmente vamos comer o que tiver mais fácil, sem atenção e muitas vezes cada um em um espaço da casa, um vendo TV, outro mexendo no computador, outro no celular.

A alimentação em família é um momento muito importante, é aquele momento em que podemos contar sobre os acontecimentos do dia (muitas vezes todos os integrantes da casa só se vêem no final do dia), é o momento onde as crianças vão conhecer novos alimentos e observar os pais, é o momento de ter atenção plena ao alimento, momento de descobrir novos sabores e sentidos, é o momento para estarmos longe de distrações (TV, celular, computador, tablet, etc.)

Já é certo que crianças que têm a oportunidade de comer com a família em um momento de prazer, são crianças com melhor relacionamento – inclusive com os próprios pais.

Que tal relembrar um pouquinho da sua infância, lembrar dos domingos com a família reunida, como você se sentia? Você não quer proporcionar esses momentos para seu filho?

E então, quem você convidaria para jantar?

Sugestão de Leitura: O Peso das Dietas

 

Hoje venho aqui sugerir um livro que eu realmente amo e acredito que deveria ser uma leitura obrigatória para quem deseja ter uma alimentação mais saudável e consciente.

O Peso das Dietas foi escrito pela Sophie Deram, uma nutricionista francesa e brasileira naturalizada, especialista em comportamento alimentar e ativista contra dietas restritivas. Ela acredita no prazer de comer e no poder dos alimentos verdadeiros para resgatar a saúde e chegar ao peso saudável.

No livro ela aborda o porquê, mesmo fazendo tantas dietas, o mundo continua engordando, aborda entre outros temas, as mudanças na sociedade, falta de tempo, insatisfação corporal e ditadura da magreza e beleza. Ela também explica um pouquinho sobre a obesidade e os transtornos alimentares, alimentação consciente e como nosso cérebro controla fome, apetite e saciedade.

Sophie acredita no prazer de comer e no poder dos alimentos verdadeiros para resgatar a saúde e chegar ao peso saudável.

Uma parte que gosto bastante é o capitulo que fala “Por que você quer emagrecer? Será que precisa mesmo?” e do “Faça as pazes com seu corpo”, quando a gente se ama a gente cuida mais de si, se importa mais, o segredo para o auto cuidado é se amar!

Ela termina o livro com várias receitas caseiras e fáceis para o dia a dia. Ela, assim como eu, é super adepta do “vamos voltar a cozinhar”.

O livro tem 315 páginas e é de uma leitura fácil e gostosa.

Se quiser saber mais um pouquinho sobre a Sophie deixo aqui uma das redes sociais dela com várias dicas fáceis e práticas.

E você, já leu o livro? Ficou interessado? Conte pra gente!