Por que não acredito em dietas e nem todos os meus pacientes recebem um plano alimentar?

Sou formada há 7 anos e sempre fui apaixonada por nutrição, desde o ensino médio tinha o sonho de cursar a faculdade. Consegui, finalizei e uma nova angustia começou a me perseguir: toda vez que eu ia calcular um cardápio era um sofrimento, estava tudo lindo, masssssss a proteína estava acima da recomendação, diminuía a proteína e a gordura aumentava, mudava a gordura e faltava vitaminas, enfim… e eu comecei a pensar que era humanamente impossível comer sempre a mesma coisa todos os dias e que se trocássemos por qualquer alimento da lista de substituição, alguma coisa iria ficar “fora nos cálculos”.

Cheguei a conclusão que calcular dieta não era para mim, mas todos meus pacientes me cobravam uma dieta, e fui percebendo que a pessoa queria a dieta, mas dificilmente conseguia seguir.

De um modo geral, as pessoas têm uma ideia fixa da nutrição, uma grande importância ao papel/dieta, aos alimentos “milagrosos”, o que pode ou não comer e esquecem de avaliar o próprio corpo, como ele reage e se comporta aos alimentos.

papel da nutricionista

É claro que em alguns casos o plano alimentar é muito importante, por exemplo, com atletas ou doenças específicas, mas não é necessário para todos, posso dizer que a grande maioria das pessoas não precisa desse plano alimentar ou dieta toda certinha e calculada.

Fui conhecendo novas abordagens, aquelas que faziam meus olhos brilharem e quando tive a oportunidade de viajar para Europa eu vi como os hábitos deles eram diferentes do nosso, sem tanta restrição, comendo com prazer, calma e caminhando muito (muito mesmo, é impressionante como se anda por lá rs).

Desde então mudei totalmente minha forma de pensar sobre alimentação, não só profissionalmente, mas na minha vida pessoal, e fazer cardápio/dieta já não fazia parte dos meus valores, do que eu acreditava e acredito.

Acredito em uma alimentação sem restrições, o que não quer dizer que a pessoa deva comer o que quiser, em qualquer momento e sem nenhum critério, mas sim, prestar atenção nas suas escolhas e vontades. Uma alimentação leve, prazerosa, respeitando seus sinais internos de fome e saciedade, suas emoções, suas culturas e crenças, vai ser uma alimentação para a vida inteira, consistente, isso te trará benefícios físicos e emocionais, e isso sim, será duradouro.

A alimentação consciente leva em conta suas sensações de fome. Será que você, todo dia, tem o mesmo nível de fome ou está sempre comendo a mesma quantidade só porque te disseram que aquela quantidade era a certa? Nossa fome varia de acordo com a temperatura, nível de atividade física, horas de sono, etc. Um cardápio que determina o que você deve comer todos os dias não leva em conta que você tem vontades diferentes.

Não ter um cardápio pronto vai fazer você ter mais autonomia sobre sua própria alimentação, pensar e refletir sobre suas escolhas e conseqüências delas.

Hoje o que faz meus olhos brilharem é ver meus pacientes se conhecendo melhor e vivendo em harmonia com seus corpos e alimentos ao seu redor.

E você, é muito dependente de um cardápio? Acha possível ter uma alimentação bacana ouvindo seu corpo? Conta pra mim!! 

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